segunda-feira, 30 de abril de 2012

O Soto Gari - Sensei Paulo Duarte

Dono de uma didática apurada, o Sensei Paulo Duarte explica os fundamentos para um bom O Soto Gari. Vale a pena conferir!



domingo, 29 de abril de 2012

Onde chegaremos em 2016, eis a questão

Penso no desenvolvimento do esporte nos países que sediaram os Jogos Olímpicos. Muitos deles encabeçaram quadros de medalhas de forma parelha com potências, como os EUA. Mas vejam a perspectiva de 2016 para o esporte brasileiro, feita por José Cruz em seu blog do UOL

 
Há poucos dias, o superintendente executivo do Comitê Olímpico, Marcos Vinícius, foi realista ao prever a meta de nossos atletas nos Jogos de Londres: repetir Pequim: 15 medalhas, por aí.
Disse mais: Com a escolha do Rio para receber os Jogos de 2016, o Comitê Olímpico passou a ter mais apoio do governo. Isto é, mais verba pública para o rendimento.
Isso ocorre de forma crescente desde 2001, quando surgiu a Lei Agnelo Piva. Depois, veio a Bolsa Atleta, a Lei de Incentivo e o próprio Ministério do Esporte, despejando grana em projetos e mais projetos.

E daí?

Daí que em apenas uma semana publiquei duas mensagens que contrastam com essa realidade:

1. jovens judocas – entre os quatro primeiros do país em suas respectivas categorias –  pedindo dinheiro na rua para treinar no exterior com a Seleção Brasileira;
2. a carta da mãe de um esgrimista, contando como ele se habilitou para o Mundial, na Rússia, e ficou fora do planejamento das instituições formadoras, a Confederação e o Esporte Clube Pinheiros, no caso.
Confederação de Judô e o Clube Pinheiros explicaram os critérios que usam para beneficiar seus atletas.  A conclusão é a seguinte: o dinheiro ainda é insuficiente para atender a todos com potencial para prosperar em várias modalidades, atletismo, tênis, natação etc.

Números

No ano passado o Ministério do Esporte destinou R$ 11 milhões para o rendimento de nove confederações; no mesmo período, o Pinheiros, por exemplo, captou R$ 9,9 milhões na Lei de Incentivo; outros R$ 8,5 milhões em 2010. Das loterias federais o COB recebeu R$ 153 milhões.
E temos mais de R$ 100 milhões de sete estatais – Banco do Brasil, Caixa, Correios, Eletrobras, Infraero, Petrobras e Casa da Moeda – também colocando verba em 20 modalidades.
Outras certezas: no país olímpico falta planejamento integrado; é enorme o distanciamento das confederações dos clubes para projetar as metas dos jovens atletas; a  transparência no uso das verbas é mínima, e a forma como o Ministério do Esporte se comporta diante dessas realidades é caótica.  De omissão, até.
Lendo notícias, relatórios e ouvindo gente envolvida no assunto fica claro que o dinheiro continua concentrado no atleta pronto, no que atingiu o nível olímpico. Com isso, a base briga para crescer.  Depois, quando os campeões chegam ao topo os cartolas abrem o sorriso e se abraçam, como se tivessem sido, de fato, os responsáveis por suas carreiras.
Continuamos com dinheiro e perdidos no planejamento integrado. O desperdício da verba pública é evidente. E não é conversa de jornalista, pois na próxima semana comentarei como um projeto para desenvolver o hipismo se transformou num lamaçal de falcatruas.

É por aí.

Extraído de http://josecruz.blogosfera.uol.com.br/2012/04/rio-2016-a-base-do-esporte-que-se-vire/
 

sábado, 28 de abril de 2012

Considerações acerca do Judô capixaba



Por João Paulo D. Cêpa

A história do Judô Capixaba é uma história rica, mas ainda precisa ser contada. Assim como um povo não existe sem a sua história (pois perde a sua essência), o judô capixaba precisa conhecer a sua origem.

Essa origem está ligada a alguns personagens anteriores a criação da FEJ. Na verdade, falamos dos precursores do esporte no Estado. O primeiro deles foi Algênio Moreira de Barros, um dos fundadores da federação. Ele lecionava judô e Jiu-Jitsu no Clube Saldanha da Gama e foi proprietário de uma das primeiras academias do Estado, o Judô Algênio de Barros, sediado na rua Neves Armond 169, segundo andar – Praia do Suá, Vitória. Era faixa preta de judô e oitavo dan de Jiu Jitsu (dado levantado de 1991). Alguns atletas antigos afirmam que ele foi o primeiro lutador de judô do Espírito Santo.

Pouco depois de Algênio de Barros, chegou a Estado do Espírito Santo o seu irmão José de Barros, que fundou em 1972, na Glória, município de Vila Velha, o Judô Clube Nippon (sediado atualmente no bairro de Vila Nova). Estes dois mestre de judô foram responsáveis pela formação de um “tronco” de atletas e mestres atuantes no Estado e que trouxeram glórias para o Espírito Santo.

Dentre os precursores do Judô capixaba, destacamos ainda José Lemos Sobrinho, que pertencia a outro dos clubes mais antigos da Grande Vitória, o Judô Clube Vitória.  Outros nomes também precisam ser lembrados e suas histórias registradas: Yamaguchi, Manuelino Correia (responsável pela Associação Hong Kong, uma das mais tradicionais do Estado), Heloisio Ferreira ( que conquistou os primeiros pontos para o Espírito Santo em competições nacionais em 1974 no Paraná e no Campeonato Brasileiro Júnior de Belo Horizonte em 1975), etc.

 Antigo símbolo da FEJ


Desvendar essa rica história do Judô capixaba é um dos motivos pelo qual eu criei esse blog. Muitas dessas considerações estarão em meu projeto de doutorado em Educação Física, que está em fase de preparação. 

 Cópia da ata da Assembléia Geral que fundou a Federação Espiritossantense de Judô, em 10-12-1973

Esta ata foi lavrada na sede do Clube Vitória, com a presença de Algênio Moreira de Barros (responsável pelo Judô Algênio de Barros), José Maria de Barros (responsável pelo Judô Clube Nippon), Heloísio Ferreira Pereira (membro do Departamento Técnico do Judô Clube Vitória) e outros representantes da primeira diretoria  da FEJ.

Abaixo, temos a transcrição da primeira diretoria da FEJ:

Presidente: Argentino de Almeida Pinto
Vice-Presidente: Algênio Moreira de Barros

Conselho Fiscal

Efetivos: José Rogério Bressan, Luigi Simoni e Edmilson Brandão
Suplentes: Nelson de Souza Lima Filho, José Maria de Barros e César Helal

Tribunal de Justiça Desportiva

Efetivos: José Carlos Nacif, Djalma de Sá Oliveira Filho, José Lemos Sobrinho, Mauro Fontoura Borges, Ubiratan Ferrari Bonino, Alberto Cusnir, Edson Maestri

Suplentes:José Marcos Martins, Délio Delmaestro, Ayrton Ruperti, Hercílio Alves da Silva Filho, José Carlos Ferreira

Primeiro Secretário: José Adelino de Souza Mendes
Segundo Secretário: Rubens Napoleão Augusto Leal
Primeiro Tesoureiro: Sebastião Antonio Rabelo Leite
Segundo Tesoureiro: Laurimar da Silva Castro
Diretor de Relações Públicas: Jonas Porfírio
Diretor Técnico: Heloísio Ferreira Pereira


 Fontes:

CEPA, João Paulo Derocy .Federação Espiritossantense de Judô: Uma história a ser contada. Palestra apresentada na cerimônia de encerramento da FEJ - 2011.


 

Judô impossível

Postei esse vídeo pensando nos alunos que acham desnecessárias as cambalhotas nos treinamentos de Judô...


Sarah Menezes é destaque em reportagem da BBC em Londres



A judoca Sarah Menezes, destaque do judô feminino na categoria 48 kg e candidata a corrida pelo ouro olímpico participou do documentário World Olympic Dreams. O programa foi dirigido pela BBC de Londres, que viajou até o Piauí acompanhando um dia de treinamento da atleta olímpica.

Dentre as principais conquistas da atleta, destacamos: Bronze no Campeonato Mundial Sênior 2010 / Bronze no Campeonato Mundial Sênior 2011 / Ouro no Campeonato Mundial Sub 20 de 2008 e 2009 / Prata no Grand Slam de Paris 2011/ Bronze no Grand Slam do Rio de Janeiro 2009 / Ouro na Copa do Mundo de Madrid 2009 / Bronze nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara 2011

O conteúdo da participação de Sarah no documentário está disponível neste link


Dados sobre Sarah Menezes obtida no site da CBJ

Sensei José Maria de Barros





José Maria de Barros, filho de Algênio Van-Erven de Barros e Maria Moreira de Barros, nasceu em 15 de maio de 1924, em Areal-Teresopólis/RJ, era o responsável pelos quatro irmãos mais novos, com ensino fundamental incompleto, foi caminhoneiro e em 1952 iniciou o aprendizado do judô, como o Professor Takiou Ogino, na cidade de Curitiba. É padrinho de Rorion Gracie, um dos ícones do chamado Brazilian Jiu Jitsu.
Em 1956, foi transferido para o eixo Rio-São Paulo, continuando na Profissão de Motorista; prossegue os seus treinos com o Professor José Roberto Vieira, em São Miguel Paulista (na Nitroquimica) e o Professor Moacyr Ribeiro Pinto, no Clube Matarazzo, em Ermelino, São Paulo.
Em 1958 veio para Vitória ajudar seu irmão, o Prof. Algênio de Barros que ensinava jiu-jutsu no Clube Saldanha da Gama.
Em 1961 é diplomado faixa preta SHODAN.
Em 1965 é diplomado NIDAN no Clube Corinthians de São Paulo.
No final nos anos sessenta funda o Judô Clube J.Barros em Barra Mansa-RJ.
Em 1968 é diplomado SANDAN.
Em 1972, funda o Judô Clube Nippon (JCN) em Vila Velha.
Em 1973 participa da fundação da Federação Espiritossantense de judô (FEJ)
É diplomado YONDAN em 1987, GODAN em 1997, ROKUDAN em 2002 e RITDAN em 2009.

Sensei José de Barros é responsável pela formação de muitos Professores que estão ensinando em várias escolas no estado do Espírito Santo e do Brasil. Aos 87 anos continua contribuído para a formação de árbitros e competidores de nível nacional e internacional; e o mais importante mantendo a filosofia de formar grandes cidadãos, através da disciplina do judô.
Visitar o Judõ Clube Nippon é como voltar num tempo em que o Judô Tradicional estava acima dos padrões competitivos atuais. Os quadros na parede remontam a gerações de Senseis que atualmente agem espalhados pelo Estado nos mais diversos Dojos (Sensei Luiz Carlos Moreira e Sensei Adelino)  e também a atletas vitoriosos, com a lenda feminina Rosana de Barros..
Infelizmente, em um país que desqualifica o esporte individual e concentra seu poderio financeiro em esportes coletivos de massa, o Sensei José de Barros, assim como outros ícones do Judô brasileiro, nunca receberam homenagens a altura do seu valor para o país.

 Texto retirado e adaptado de www.jcnippon.com.br

terça-feira, 24 de abril de 2012

A influência japonesa em nosso Judô


Sensei Shiozawa, considerado por alguns o maior 
judoca já visto no Brasil

Recentemente foi defendida na USP uma tese de doutorado muito interessante e que desvelou algumas incógnitas sobre a origem do Judô brasileiro. Alexandre Velly Nunes desenvolveu uma extensa pesquisa sobre os troncos japoneses que disseminaram o judô pelo Brasil. Estou lendo a tese e posteriormente pretendo escrever sobre ela aqui no blog, pois é um trabalho que considero fantástico. Leiam o resumo abaixo:

O Brasil conquistou 38 medalhas no judô de 1956 a 2010 em Campeonatos. Mundiais (CM) e de 1964-2008 em Jogos Olímpicos (JO). Estas medalhas estão divididas entre 23 atletas. Sete deles conquistaram medalhas em JO e CM. Aurélio Miguel (1988-1996), Tiago Camilo (2000-2008) e Leandro Grilheiro (2004-2008), se destacam com duas medalhas em JO e em CM. O objetivo deste estudo é elaborar uma genealogia do judô brasileiro e compreender a dimensão da influência da imigração japonesa neste contexto. Este estudo utilizou a metodologia de História Oral de Vida Híbrida. Foram entrevistados os medalhistas brasileiros em JO e CM até 2010 e os seus respectivos professores. Analisando as entrevistas identifiquei os ascendentes judoísticos dos atletas, até a determinação dos seus respectivos genearcas. Assumiu-se que genearca é aquele que chegou ao Brasil com conhecimentos suficientes para ministrar aulas de judô/jiu-jitsu. A maioria dos genearcas do judô brasileiro são imigrantes japoneses. Fogem a essa regra o sensei Georges Mehdi, naturalizado brasileiro e o sensei João Graf Vassoux. Mitsuyo Maeda foi o primeiro a chegar e fazer demonstrações de judô no Brasil, em 1914. Em 1936 Ryuzo Ogawa fundou a Budokan. Ele é o genearca que influenciou o maior número destes atletas. Antes da Segunda Guerra Mundial (SGM) verifiquei a importância do trabalho de Yassuishi Ono, Sobei Tani, e Katsutoshi Naito, em SP, Sadai Ishihara no Paraná, Soishiro Satake em Manaus e Takeo Yano em vários estados. Após a SGM identifiquei a influência de Chiaki Ishii, Shuhei Okano e Onodera em SP, Teruo Obata e Naoshige Ushijima no RS e Michio Ninomiya no DF. O surgimento e a expansão do judô no Brasil está diretamente relacionado ao processo de imigração japonesa. Encontrei dois perfis de professores: os formadores e os treinadores. Destacam-se os professores: Massao Shinohara, Paulo Duarte, Orlando Hirakawa e Uichiro Umakakeba, formadores de nove judocas que conquistaram 18 das 38 medalhas brasileiras da história. Como treinador, destaca-se Floriano de Almeida que influenciou a carreira de sete medalhistas. Os locais de formação são distintos daqueles onde os atletas alcançaram as suas melhores performances. Entre os dojos formadores destaco as associações Vila Sônia em, Hirakawa e Paulo Duarte

A tese pode ser baixada gratuitamente na biblioteca digital de teses e dissertações da USP no link abaixo:
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/39/39133/tde-30012012-150144/pt-br.php

Para motivar a leitura da tese, transcrevo abaixo um artigo sobre a influência japonesa no nosso judô, retirado da Revista Ippon e publicado no site Judô Carioca:


A INFLUÊNCIA JAPONESA NO NOSSO JUDÔ
O judô brasileiro é japonês de origem. A maior concentração da colônia oriental é em São Paulo. Não é a toa que esse estado tenha se tornado o mais forte no judô nacional.
Não foi à toa também que a primeira medalha olímpica do judô daqui tenha sobrenome japonês: Chiaki Ishii, brasileiro naturalizado que conquistou bronze nas Olimpíadas de Munique.
Foram necessárias décadas de germinação nos guetos japoneses até a modalidade conquistar espaço na agenda esportiva dos brasileiros.
Hoje, é uma das atividades esportivas mais concorridas.
Praticado em academias, clubes e escolas, o judô é muito respeitado como esporte disciplinador e ao mesmo tempo como um dos mais competitivos do mundo. Para comprovar isso estão aí os milhares de atletas inscritos nas federações estaduais e as medalhas olímpicas que o judô brasileiro já conquistou: duas de ouro, uma de prata e cinco de bronze.
O judô do Brasil tem em um brasileiro nato o seu maior nome: Aurélio Miguel, medalha de ouro nas Olimpíadas de Seul (88) e bronze nas de Atlanta (96).
Mas justamente o principal ídolo do esporte por aqui se considera mais japonês que muito japonês. Aliás, recomenda o Japão como fonte inspiradora e local ideal para treinamentos. "Antes de todas as minhas conquistas importantes sempre houve um estágio no Japão", justificou. Fato comum na história da esmagadora maioria dos atletas de todos os estados, na formação do judoca Aurélio Miguel também vai se encontrar um ‘sensei’ tipicamente japonês. No caso dele, Massao Shinohara.
O estilo refinado não consegue esconder a ‘orientalidade’ de sua origem. Juntos, o intenso intercâmbio promovido pelas entidades que dirigem o esporte no país e o talento natural dos atletas nacionais, têm revelado sucessivas gerações de bons atletas nas competições internacionais como Lhofei Shiozawa, Ryoji Suzuki, Takayuki Nishida, Hely Sassaki, Anelson Guerra, Luís e Nelson Onmura, Walter Carmona, Douglas Vieira, Carlos Alberto Pacheco, Carlos Alberto MC Cunha, Oswaldo Simões, Ricardo e Rogério Sampaio, Edinanci Silva, Danielle Zangrando, Henrique Guimarães, Sebastian Pereira e Fúlvio Miyata entre muitos outros.O caráter disciplinador é uma das principais particularidades do judô. Também é essa uma das grandes heranças do esporte aqui praticado.
Os mestres japoneses transmitem a seus alunos uma consciência de hierarquia e respeito que muitos pais têm dificuldades de passar aos filhos.
Durante as últimas décadas, entretanto, esse aspecto educativo do judô vem perdendo força. Os imigrantes estão desaparecendo e seus descendentes ficando cada vez mais distantes de suas origens. Aos poucos, o judô brasileiro vai perdendo o sotaque e a tutela de ‘senseis’ como Shinohara, Oide, Onodera, Ishii, Ono, Suganuma, Miura etc. Estão cedendo seus lugares a nomes como Geraldo Bernardes, Paulo Duarte, Paulo Wanderley, Ney Wilson, Floriano de Almeida, Douglas Vieira, Sérgio Pessoa, etc.
Entretanto, serão necessárias dezenas de anos até que o judô do Brasil deixe de transparecer sua origem. Afinal, a forma que moldou as gerações que passaram continua a ser usada pelos ex-alunos, hoje na função de mestres. Além disso, sobrenomes como Ishii, Shinohara, Miyata, entre outros, seguem levando aos tatames e em verde-amarelo o judô que aprenderam no berço. Essa miscigenação se repete em outros países, mas em nenhum lugar é tão forte como no Brasil. Como no mundo de hoje globalização é a palavra de ordem, pode-se apenas esperar que ela não se traduza em breve por homogeneização do esporte. É importante que o judô mantenha em cada região seus sabores próprios.
Texto do jornalista Moacir Ciro Martins, publicado na Revista IPPON, nº 17, JUN/JUL - 1998.